Como é feito o diagnóstico de aneurisma? Quais exames são necessários?

Aneurisma: o diagnóstico precoce pode salvar vidas

O aneurisma é uma dilatação anormal na parede de uma artéria, que pode evoluir silenciosamente por anos até causar sintomas ou complicações graves. Por isso, entender como é feito o diagnóstico de aneurisma é fundamental para garantir o tratamento adequado no momento certo — muitas vezes antes que ocorra a ruptura.

Aneurisma

Atualmente, o diagnóstico de aneurisma é preciso e acessível, graças a exames de imagem que permitem avaliar tamanho, forma e localização do problema com detalhes. Mas o processo diagnóstico começa antes disso: com uma consulta bem conduzida por um cirurgião vascular.

Quando investigar a possibilidade de um aneurisma?

Muitas pessoas descobrem que têm um aneurisma de forma incidental, durante a realização de exames solicitados por outros motivos — como uma tomografia abdominal ou ultrassom de rotina. No entanto, há situações em que o médico suspeita de aneurisma com base em sintomas e fatores de risco.

É importante investigar aneurisma nos seguintes contextos:

  • Pacientes com histórico familiar de aneurisma
  • Indivíduos com hipertensão arterial ou tabagismo crônico
  • Homens com mais de 65 anos, mesmo sem sintomas
  • Presença de dor abdominal, lombar ou atrás do joelho sem explicação
  • Sensação de massa pulsátil no abdome ou na perna
  • Sinais de isquemia súbita (diminuição da circulação) em membros inferiores

Nesses casos, o médico vascular pode solicitar exames específicos para confirmar a suspeita de aneurisma.

Exame físico: o primeiro passo

Durante a consulta, o médico realiza um exame físico detalhado. Em alguns casos, especialmente em pacientes magros, é possível palpar um aneurisma abdominal como uma massa pulsátil. Aneurismas poplíteos (atrás do joelho) também podem ser percebidos ao toque.

Entretanto, o exame físico sozinho não é suficiente para confirmar ou descartar a presença de um aneurisma. Ele serve como ponto de partida para a investigação por imagem, que trará o diagnóstico definitivo.

Ultrassom com Doppler: exame simples e eficaz

O ultrassom com Doppler é, na maioria dos casos, o primeiro exame solicitado para avaliar um possível aneurisma. É indolor, rápido, não utiliza radiação e pode ser feito em consultório.

O exame permite:

  • Confirmar a presença do aneurisma
  • Medir com precisão o diâmetro da artéria dilatada
  • Avaliar o fluxo sanguíneo no local
  • Monitorar a evolução ao longo do tempo

É especialmente útil para acompanhar aneurismas da aorta abdominal e das artérias poplíteas, e pode ser repetido periodicamente para avaliar crescimento.

Aneurisma

Angiotomografia: imagem detalhada para planejamento

A angiotomografia é considerada o padrão-ouro para avaliar aneurismas com maior detalhe. Trata-se de uma tomografia computadorizada com contraste intravenoso, que permite uma visualização tridimensional das artérias.

Ela é essencial quando:

  • O aneurisma já foi identificado no ultrassom e precisa de avaliação complementar
  • Há suspeita de complicações como ruptura, trombose ou compressão de estruturas vizinhas
  • É necessário fazer o planejamento cirúrgico ou endovascular do tratamento
  • O aneurisma está em localizações complexas, como aorta torácica, artérias viscerais ou ilíacas

Com a angiotomografia, o médico consegue avaliar não apenas o tamanho do aneurisma, mas também seu formato (fusiforme ou sacular), extensão, colaterais envolvidas e relação com ramos arteriais.

Aneurisma

Ressonância magnética (Angio-RM)

A ressonância magnética com contraste é uma alternativa à angiotomografia, especialmente para pacientes alérgicos ao contraste iodado ou com insuficiência renal.

Ela oferece imagens detalhadas e tridimensionais, com boa definição das paredes arteriais. No entanto, é menos utilizada em emergências e em pacientes com stents, próteses metálicas ou marca-passos, devido às limitações técnicas.

Aneurisma

Outros exames que podem ser solicitados

Dependendo da situação clínica, o cirurgião vascular pode solicitar:

  • Exames laboratoriais: hemograma, função renal e coagulação, principalmente antes de cirurgias
  • Ecodoppler de membros inferiores: para avaliar obstruções ou embolizações em aneurismas poplíteos
  • Radiografias simples: raramente úteis, mas podem mostrar calcificações em aneurismas avançados
  • Cateterismo arterial (arteriografia): hoje em dia pouco usado, reservado para planejamento cirúrgico em casos selecionados

O que o médico avalia nos exames?

Além de confirmar a presença do aneurisma, o cirurgião vascular irá analisar:

  • Localização exata do aneurisma
  • Tamanho (diâmetro em milímetros)
  • Formato e morfologia
  • Velocidade de crescimento
  • Presença de trombos, calcificações ou inflamações
  • Relação com outros ramos arteriais

Essas informações são fundamentais para definir a conduta: se o aneurisma será apenas observado, tratado com cirurgia aberta ou abordado por técnicas endovasculares (cateterismo com prótese).

Aneurisma

Monitoramento de aneurismas pequenos

Quando o aneurisma tem tamanho abaixo do limite considerado de risco, o tratamento pode ser apenas clínico, com acompanhamento periódico por imagem. Isso ocorre, por exemplo, quando a aorta abdominal mede entre 3,0 e 4,9 cm.

Nesses casos, o cirurgião vascular indica:

  • Mudanças no estilo de vida (controle de pressão, parar de fumar)
  • Uso de medicações para reduzir riscos cardiovasculares
  • Ultrassonografias regulares, a cada 6 a 12 meses, para monitorar o crescimento

O tratamento definitivo será considerado se houver crescimento acelerado ou se o aneurisma atingir o tamanho limítrofe para ruptura.

Diagnóstico precoce salva vidas

O maior desafio do aneurisma é seu caráter silencioso. Muitas pessoas convivem com o problema por anos sem saber, até que ocorra uma ruptura súbita, que pode ser fatal.

Por isso, investigar precocemente é essencial, especialmente em pessoas com fatores de risco. O diagnóstico, quando feito a tempo, permite escolher o melhor momento para tratar — com segurança e bons resultados.

Avaliação vascular com especialistas

No Instituto Barão, contamos com uma equipe de cirurgiões vasculares especialistas pela USP, preparados para fazer uma avaliação vascular completa. A consulta pode ser presencial ou por telemedicina, com retorno incluído em até 60 dias.

Analisamos exames prévios, indicamos novos exames quando necessário (como ultrassom ou angiotomografia) e elaboramos um plano de acompanhamento ou tratamento personalizado.

Agende sua consulta e descubra como está sua saúde vascular. A detecção precoce pode evitar complicações graves.

 

Dr. Felipe Barão

Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.

CRM: 130055 | RQE: 44741

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde também concluiu o Doutorado e o Pós-Doutorado. Complementou sua formação com um fellowship internacional em Cirurgia Vascular e Endovascular na Universidade do Texas, em Dallas (EUA). Possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, concedidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). É membro da Society for Vascular Surgery (EUA) e da SBACV.
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