O que é aneurisma? Tipos, riscos, sintomas e quando procurar um cirurgião vascular

O que é aneurisma?

Aneurisma é uma dilatação permanente de uma artéria, geralmente causada pelo enfraquecimento progressivo da parede do vaso sanguíneo. Essa dilatação pode crescer lentamente, de forma silenciosa, sem provocar sintomas, até atingir um tamanho perigoso. Quando isso ocorre, o risco de ruptura se torna elevado — e, dependendo da artéria acometida, pode levar a hemorragias internas graves e até à morte.

Aneurisma

A maioria dos aneurismas são detectados por acaso, durante exames de imagem realizados por outros motivos. Justamente por esse caráter silencioso, são considerados “assassinos ocultos” da circulação.

O que causa um aneurisma?

As causas do aneurisma são multifatoriais, mas os principais fatores de risco incluem:

  • Idade avançada
  • Tabagismo
  • Hipertensão arterial crônica
  • Histórico familiar de aneurisma
  • Doenças do colágeno (ex: síndrome de Marfan)

O processo geralmente começa com uma degeneração progressiva da camada elástica da artéria, tornando-a frágil e sujeita a dilatação. Com o tempo, o calibre do vaso aumenta e as tensões sobre a parede arterial crescem, aumentando o risco de ruptura.

Principais tipos de aneurisma vascular

Entre os diversos tipos de aneurismas que podem ocorrer no corpo humano, os aneurismas vasculares merecem atenção especial por estarem associados a complicações graves e por envolverem grandes artérias responsáveis pela irrigação de órgãos vitais.

Aneurisma da Aorta Abdominal (AAA)

É o tipo mais comum. A aorta é a maior artéria do corpo, e a porção abdominal é especialmente suscetível à formação de aneurismas. O aneurisma da aorta abdominal é mais comum em homens acima de 65 anos, especialmente aqueles com histórico de tabagismo.

Quando pequeno (abaixo de 4 cm), o aneurisma costuma ser apenas monitorado. No entanto, à medida que se aproxima de 5 cm ou mais, o risco de ruptura aumenta exponencialmente. Quando rompe, a mortalidade pode ultrapassar 80%, mesmo com atendimento de emergência.
Aneurisma

Aneurisma das Artérias Ilíacas

Geralmente associado ao aneurisma da aorta, pode ser bilateral e alcançar grandes dimensões. Apesar de ser menos conhecido, o aneurisma ilíaco pode comprimir estruturas vizinhas e também pode romper. É mais difícil de ser detectado em exames clínicos simples, por isso muitas vezes passa despercebido.

Aneurisma

Aneurisma Poplíteo

Esse aneurisma afeta a artéria localizada atrás do joelho. Embora seja mais raro, o aneurisma poplíteo tem alto risco de causar trombose arterial aguda, com obstrução do fluxo sanguíneo para a perna. Pode levar a isquemia e, em casos graves, até à necessidade de amputação.

Aneurisma

Cerca de 50% dos pacientes com aneurisma poplíteo bilateral também possuem aneurisma de aorta abdominal — o que torna o rastreamento fundamental nesses casos.

Aneurismas Viscerais

Incluem aneurismas das artérias esplênica, hepática, mesentérica e renais. Embora menos frequentes, quando rompem, geralmente causam hemorragias internas graves e de difícil controle. O diagnóstico é muitas vezes incidental, por exames como angiotomografia abdominal ou ressonância magnética.

Aneurisma

Quais são os sintomas de aneurisma?

A maioria dos aneurismas não causa sintomas até que atinja grandes proporções ou se complique. Porém, alguns sinais de alerta podem surgir:

  • Dor abdominal ou lombar persistente (no caso de aneurisma de aorta)
  • Pulsação visível ou palpável no abdome
  • Dor ou desconforto atrás do joelho (aneurisma poplíteo)
  • Sensação de massa abdominal
  • Quadros de trombose ou embolia arterial nos membros inferiores

A ruptura de um aneurisma geralmente se manifesta por dor súbita e intensa, queda da pressão arterial e sinais de choque. Trata-se de uma emergência médica.

Aneurisma

Como é feito o diagnóstico?

O exame clínico pode levantar suspeitas, especialmente em casos de aneurismas superficiais ou de grandes dimensões. Porém, o diagnóstico definitivo depende de exames de imagem, como:

  • Ultrassonografia com Doppler – ideal para rastreamento inicial
  • Angiotomografia – fornece imagens detalhadas e mede o diâmetro do aneurisma
  • Ressonância magnética angiográfica – alternativa em casos selecionados

É comum que o aneurisma seja detectado em exames realizados por outros motivos, como uma tomografia de abdome para investigação de dor.
Aneurisma

Quando é indicado o tratamento?

Nem todo aneurisma precisa de cirurgia. A conduta depende do tipo, do tamanho, da evolução ao longo do tempo e da condição clínica do paciente.

Indicações comuns de tratamento:

  • Aneurisma da aorta abdominal com mais de 5,5 cm (em homens) ou 5,0 cm (em mulheres)
  • Aneurismas com crescimento rápido (mais de 0,5 cm em 6 meses)
  • Aneurismas sintomáticos ou com sinais de complicação (ex: trombose, embolia, compressão)
  • Aneurismas poplíteos com mais de 2,0 cm

O tratamento pode ser cirúrgico convencional (com prótese de Dacron) ou endovascular (com stents revestido ou endopróteses), dependendo da anatomia e dos recursos disponíveis.

Aneurisma

Quando procurar um cirurgião vascular?

Se você possui fatores de risco — como tabagismo, hipertensão, histórico familiar ou idade acima de 60 anos —, é altamente recomendável realizar um rastreamento vascular. A detecção precoce de aneurismas permite o acompanhamento seguro e, se necessário, o tratamento antes que ocorram complicações.

Mesmo que você não apresente sintomas, exames simples como o ultrassom com Doppler podem salvar vidas ao detectar alterações silenciosas.

Avaliação vascular especializada com segurança e precisão

No Instituto Barão, oferecemos avaliação vascular detalhada realizada por cirurgiões vasculares e endovasculares com especialidade pela USP. A análise inclui diagnóstico completo, revisão de exames prévios e elaboração de um plano de tratamento individualizado — com ou sem indicação cirúrgica.

 

Dr. Felipe Barão

Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.

CRM: 130055 | RQE: 44741

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde também concluiu o Doutorado e o Pós-Doutorado. Complementou sua formação com um fellowship internacional em Cirurgia Vascular e Endovascular na Universidade do Texas, em Dallas (EUA). Possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, concedidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). É membro da Society for Vascular Surgery (EUA) e da SBACV.
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