Como diagnosticar a doença carotídea? Quais exames são feitos?
A doença carotídea é uma das principais causas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), e muitas vezes se desenvolve de forma silenciosa. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves e permitir um tratamento eficaz.

Neste artigo, você vai entender como é feita a investigação da doença carotídea, quais exames são utilizados para detectar a obstrução nas artérias do pescoço e em que situações eles devem ser solicitados.
Por que diagnosticar precocemente a doença carotídea?
As artérias carótidas levam sangue do coração até o cérebro. Quando essas artérias apresentam placas de gordura (aterosclerose), o fluxo sanguíneo cerebral pode ficar comprometido. Em casos mais graves, essas placas podem se romper e migrar para o cérebro, levando a um AVC isquêmico.
O grande problema é que na maioria dos casos a doença não apresenta sintomas até o primeiro evento neurológico. Por isso, o diagnóstico precoce é a principal ferramenta de prevenção.
Quem deve investigar a presença de doença carotídea?
Nem todas as pessoas precisam ser submetidas a exames preventivos, mas alguns grupos têm risco aumentado e devem ser avaliados mesmo sem sintomas:
- Pessoas com mais de 60 anos.
- Hipertensos, diabéticos ou dislipidêmicos.
- Pacientes com histórico de tabagismo.
- Quem já teve infarto, AIT ou AVC.
- Portadores de doença arterial em outros territórios (pernas ou coração).
- Quem apresenta sopro no pescoço ao exame físico.
Se você faz parte desse grupo, agende uma consulta com um médico vascular para avaliar a necessidade de investigação.
Exame físico: o primeiro passo
A consulta com o cirurgião vascular inclui a ausculta das artérias carótidas com estetoscópio. A presença de um sopro (ruído anormal) pode indicar turbulência no fluxo sanguíneo e sugerir estenose significativa.
Apesar de não ser suficiente para confirmar o diagnóstico, o sopro serve como um sinal de alerta importante e deve motivar a realização de exames de imagem.
Exame principal: ultrassom Doppler de carótidas
O exame mais utilizado para diagnosticar a doença carotídea é o ultrassom com Doppler das artérias carótidas. Ele é não invasivo, indolor, seguro e altamente confiável.
Esse exame permite:
- Visualizar diretamente as placas de gordura.
- Avaliar o grau de obstrução da artéria.
- Medir a velocidade do fluxo sanguíneo.
- Identificar características das placas (estáveis ou instáveis).

Exames complementares: angiotomografia e angiorressonância
Em algumas situações, o cirurgião vascular pode solicitar exames adicionais para uma avaliação mais detalhada da anatomia dos vasos e planejamento cirúrgico. Os principais são:
- Angiotomografia de carótidas: utiliza contraste iodado e tomografia computadorizada para gerar imagens em alta resolução das artérias.
- Angiorressonância magnética: também usa contraste, mas sem radiação ionizante. Ideal para pacientes alérgicos a iodo ou com insuficiência renal leve.
Esses exames são especialmente indicados quando há dúvidas no Doppler ou quando se planeja um tratamento por stent ou cirurgia.
Exame invasivo: arteriografia digital
A arteriografia digital é um exame mais invasivo, realizado por meio de punção arterial e injeção de contraste diretamente nos vasos. Atualmente, é reservado para casos selecionados, principalmente quando será realizado um procedimento endovascular no mesmo momento.
Apesar de sua precisão, esse exame envolve mais riscos e é menos utilizado na rotina de diagnóstico.

Qual especialista realiza o diagnóstico?
O cirurgião vascular é o profissional mais indicado para avaliar, diagnosticar e acompanhar a doença carotídea. Ele saberá indicar o exame mais adequado para cada paciente, interpretar os resultados e planejar o tratamento individualizado.
Vale lembrar que o diagnóstico precoce pode evitar um AVC e, muitas vezes, permite o controle apenas com mudanças no estilo de vida e medicamentos.
Conclusão
A investigação da doença carotídea é simples, segura e pode salvar vidas. O Doppler de carótidas é o principal exame para detectar obstruções arteriais e deve ser realizado em pacientes com fatores de risco ou sintomas sugestivos.
Se você faz parte do grupo de risco ou deseja uma avaliação preventiva, agende uma consulta e mantenha sua circulação cerebral em dia.
Quer avaliar suas carótidas? Agende seu Doppler e consulta com nosso especialista. Prevenir é sempre o melhor caminho.

Dr. Felipe Barão
Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.
CRM: 130055 | RQE: 44741
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