O que é a doença carótidea? Quais os riscos de AVC?

A doença carotídea é uma condição em que ocorre o estreitamento ou obstrução das artérias carótidas — vasos responsáveis por levar sangue do coração até o cérebro. Quando essa passagem de sangue é comprometida, o risco de acidente vascular cerebral (AVC) aumenta de forma significativa.

Essa é uma das principais causas evitáveis de AVC isquêmico, e por isso o diagnóstico precoce e o acompanhamento com um cirurgião vascular são essenciais. Neste texto, você vai entender de forma clara o que é essa doença, como ela se manifesta e quais os riscos reais de complicações.

O que são as artérias carótidas?

As artérias carótidas são duas grandes artérias localizadas em cada lado do pescoço. Elas se dividem em carótida comum, carótida interna (que irriga o cérebro) e carótida externa (que irriga o rosto e o couro cabeludo). Como o cérebro é altamente dependente de oxigênio, qualquer alteração no fluxo sanguíneo dessas artérias pode ter consequências graves.

O que é a doença carotídea?

A doença carotídea, também chamada de estenose carotídea, ocorre quando há acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias (processo conhecido como aterosclerose) nas paredes das artérias carótidas. Com o tempo, essas placas podem:

  • Reduzir o fluxo de sangue para o cérebro.
  • Se romper e formar coágulos.
  • Desprender fragmentos que viajam até vasos menores no cérebro, causando um bloqueio súbito.

Em todos esses casos, o resultado pode ser um acidente vascular cerebral isquêmico — uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo.

Doença Carotídea

Quais são os riscos de AVC na doença carotídea?

O risco de AVC depende da gravidade da obstrução e da presença de sintomas. Em geral:

  • Estenoses acima de 70% representam alto risco.
  • A presença de sintomas prévios (como um AIT — Acidente Isquêmico Transitório) aumenta ainda mais a necessidade do tratamento.
  • Mesmo estenoses moderadas podem causar AVC, especialmente se houver instabilidade na placa aterosclerótica.

Estudos mostram que cerca de 15% a 20% dos AVCs isquêmicos têm origem em lesões nas carótidas. Por isso, é fundamental identificar e tratar essas alterações antes que evoluam.

Quais são os sintomas da doença carotídea?

Na maioria dos casos, a doença carotídea é silenciosa. Ou seja, o paciente não sente nada até que ocorra um AIT ou um AVC.

Alguns sinais de alerta que indicam obstrução significativa incluem:

  • Perda temporária da visão em um dos olhos.
  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo.
  • Dificuldade para falar ou entender.
  • Tontura súbita ou perda de equilíbrio.

Esses sintomas são sinais de acidente isquêmico transitório (AIT), um tipo de “AVC de aviso” que deve ser investigado com urgência.

Doença Carotídea

Fatores de risco para desenvolver a doença carotídea

Os mesmos fatores que contribuem para a aterosclerose em outras partes do corpo também afetam as carótidas. São eles:

  • Idade acima de 60 anos.
  • Pressão alta (hipertensão).
  • Colesterol elevado.
  • Diabetes.
  • Tabagismo.
  • Histórico familiar de AVC ou doenças vasculares.
  • Doença arterial em outros territórios (como pernas ou coração).

Como é feito o diagnóstico da doença carotídea?

O exame mais comum e acessível para avaliar as carótidas é o ultrassom doppler de carótidas, que permite visualizar as placas, medir a velocidade do fluxo e estimar o grau de obstrução.

Doença CarotídeaOutros exames complementares incluem:

  • Angiotomografia ou angiorressonância das carótidas, que fornecem imagens tridimensionais dos vasos.
  • Arteriografia digital, usada em casos específicos e geralmente antes de cirurgias.

Um bom exame clínico com ausculta de sopros cervicais também pode levantar a suspeita da doença.

Qual o papel do cirurgião vascular?

O cirurgião vascular é o especialista mais indicado para acompanhar pacientes com doença carotídea. Ele é responsável por:

  • Avaliar o grau de obstrução.
  • Controlar os fatores de risco.
  • Indicar o melhor momento para tratamento cirúrgico.

Em muitos casos, o tratamento clínico com medicações e mudanças no estilo de vida é suficiente. Em outros, pode ser necessário realizar procedimentos como a endarterectomia de carótida (cirurgia aberta) ou a colocação de stent carotídeo (por cateterismo).

Conclusão

A doença carotídea é uma condição silenciosa, mas potencialmente grave, que pode levar a um AVC se não for identificada e tratada corretamente. Por isso, pessoas com fatores de risco devem fazer exames preventivos e manter acompanhamento regular com um cirurgião vascular.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem evitar complicações sérias e preservar a qualidade de vida do paciente. Se você tem histórico familiar ou sintomas sugestivos, não espere um alerta mais grave. Agende sua avaliação o quanto antes.

Quer avaliar suas carótidas? Agende uma consulta com nosso especialista e faça seu check-up vascular completo.

Dr. Felipe Barão

Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.

CRM: 130055 | RQE: 44741

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde também concluiu o Doutorado e o Pós-Doutorado. Complementou sua formação com um fellowship internacional em Cirurgia Vascular e Endovascular na Universidade do Texas, em Dallas (EUA). Possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, concedidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). É membro da Society for Vascular Surgery (EUA) e da SBACV.

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