Como é feito o diagnóstico da obstrução arterial periférica? Exames e avaliação

A obstrução arterial periférica (OAP) é uma condição comum, mas frequentemente subdiagnosticada, que ocorre quando há estreitamento ou bloqueio das artérias que levam sangue para os membros, principalmente as pernas. A principal causa da OAP é a aterosclerose, processo em que placas de gordura e cálcio se acumulam na parede das artérias, dificultando o fluxo sanguíneo.

O que é obstrução arterial periférica? Quais as causas?

O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves, como úlcerasdor em repousoamputações e eventos cardiovasculares como infarto e AVC. Felizmente, há formas bem estabelecidas e eficazes para identificar a OAP. Neste texto, vamos explicar como o cirurgião vascular conduz a avaliação e quais exames são mais utilizados para confirmar a doença.

Diagnóstico começa com a consulta médica

Antes de qualquer exame, o diagnóstico da OAP começa com uma boa anamnese e um exame físico detalhado.

Durante a consulta, o cirurgião vascular faz perguntas como:

  • Você sente dor nas pernas ao caminhar?
  • Após quantos metros a dor começa?
  • A dor melhora com o repouso?
  • Você sente os pés frios ou percebe mudança na coloração da pele?
  • Tem feridas que demoram a cicatrizar?
  • Já teve infarto, AVC ou é diabético, hipertenso ou fumante?

Essas informações são fundamentais, pois a claudicação intermitente — dor ao caminhar que melhora com o repouso — é o principal sintoma da OAP, especialmente nos estágios iniciais.

Como diagnosticar a obstrução arterial periférica? Exames e avaliação

Exame físico vascular

No exame físico, o médico avalia:

  • Pulsos arteriais: Verifica se há pulsos presentes nas regiões do tornozelo, pé, joelho e virilha. A ausência de pulso sugere obstrução no trajeto arterial.
  • Temperatura da pele: Membros com má circulação costumam estar mais frios.
  • Coloração da pele: Pode estar pálida, azulada ou avermelhada.
  • Presença de lesões tróficas: Feridas, unhas frágeis, perda de pelos nas pernas, entre outros sinais.

A partir dessa avaliação clínica, o médico pode suspeitar fortemente da obstrução arterial periférica e solicitar exames complementares para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da doença.

Exame mais simples: Índice Tornozelo-Braquial (ITB)

Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é um exame simples, não invasivo e bastante útil para diagnosticar a OAP.

Ele compara a pressão arterial medida no tornozelo com a pressão do braço. Normalmente, os valores são semelhantes. Quando há obstrução nas artérias das pernas, a pressão no tornozelo fica reduzida.

  • ITB entre 1,0 e 1,4: normal
  • ITB entre 0,9 e 0,7: obstrução leve
  • ITB entre 0,7 e 0,4: obstrução moderada
  • ITB abaixo de 0,4: obstrução grave

O ITB é rápido, indolor, e pode ser feito no próprio consultório ou em clínicas especializadas.

Ultrassom Doppler de membros inferiores

Esse é o exame de imagem mais utilizado no diagnóstico e acompanhamento da OAP. O ultrassom Doppler arterial permite:

  • Avaliar o fluxo de sangue nas artérias
  • Identificar pontos de estreitamento ou obstrução
  • Medir a velocidade do fluxo (indicador indireto da gravidade da lesão)
  • Visualizar trombos, placas e irregularidades na parede arterial

Além de ser não invasivo, o Doppler tem a vantagem de não usar contraste nem radiação, podendo ser repetido sempre que necessário.

Como diagnosticar a obstrução arterial periférica? Exames e avaliação

Angiotomografia com contraste

angiotomografia computadorizada é indicada quando há necessidade de detalhamento anatômico maior, geralmente em casos de obstrução grave ou quando se planeja uma cirurgia ou angioplastia.

Nesse exame, injeta-se contraste iodado na veia para visualizar com precisão o interior das artérias. Ele mostra:

  • Localização exata da obstrução
  • Extensão das placas
  • Colaterais formadas pelo organismo
  • Presença de aneurismas associados

É um exame rápido, mas exige preparo e atenção especial em pacientes com alergia a contraste ou com função renal comprometida.

Como diagnosticar a obstrução arterial periférica? Exames e avaliação

Angiorressonância magnética

angiorressonância é outra forma avançada de estudar as artérias, usada com menor frequência que a angiotomografia. Pode ser preferida em pessoas com alergia ao iodo ou quando se quer evitar radiação. O contraste usado é o gadolínio, geralmente mais seguro para os rins.

Apesar da boa qualidade de imagem, é menos disponível e pode ser contraindicada para quem tem marcapasso ou claustrofobia.

Arteriografia digital (cateterismo arterial)

Hoje, a arteriografia é menos usada para diagnóstico isolado e mais indicada quando já se prevê uma intervenção terapêutica. É um exame invasivo, feito por cateterismo — o médico introduz um cateter em uma artéria, geralmente na virilha, injeta contraste e registra imagens em tempo real.

É considerado o padrão-ouro para avaliação das artérias, pois oferece altíssima precisão e pode ser usado para tratar a lesão no mesmo momento, com colocação de stents ou angioplastia.

Exames complementares

Além dos exames específicos da circulação, o médico pode solicitar exames laboratoriais para investigar os fatores de risco, como:

  • Colesterol total e frações
  • Glicemia e hemoglobina glicada
  • Função renal

Esses dados ajudam na definição do melhor tratamento clínico e na avaliação do risco cardiovascular global.

Quando devo procurar avaliação?

Se você sente:

  • Dor nas pernas ao caminhar, que melhora com repouso
  • Feridas que demoram a cicatrizar
  • Sensação de pés frios ou dor em repouso
  • Dor nas pernas que limita atividades simples do dia a dia

… é hora de marcar uma consulta com um cirurgião vascular. O diagnóstico precoce da OAP pode evitar complicações sérias, preservar sua mobilidade e melhorar sua qualidade de vida.

Lembre-se: quanto mais cedo a obstrução for identificada, maiores as chances de tratamento com medicamentos, mudanças no estilo de vida e reabilitação vascular, sem a necessidade de cirurgia.

Dor nas pernas? Pode ser obstrução arterial. Agende uma avaliação e proteja sua saúde circulatória.

 

Dr. Felipe Barão

Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.

CRM: 130055 | RQE: 44741

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde também concluiu o Doutorado e o Pós-Doutorado. Complementou sua formação com um fellowship internacional em Cirurgia Vascular e Endovascular na Universidade do Texas, em Dallas (EUA). Possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, concedidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). É membro da Society for Vascular Surgery (EUA) e da SBACV.
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