O tratamento cirúrgico de varizes não é considerado de alto risco. É uma cirurgia rápida, superficial, feita no momento em que o paciente está em boas condições de saúde, e consequentemente, os riscos operatórios de uma complicação maior é baixo.

Assim, já adiantamos que a maioria das complicações são leves, porém vale a pena se ligar caso você pretenda ser submetido a essa cirurgia. Vamos a elas:

HEMATOMAS. Todo mundo irá apresentar essas manchas roxas pelas pernas após a cirurgia. É mais uma consequência do que uma complicação. Nessa cirurgia, as veias doentes são removidas, o que causa um sangramento local que é estancado pelo próprio corpo. A regressão completa dessas manchas roxas é esperada em aproximadamente 1 mês, a depender dos cuidados pós-operatórios, do tamanho da cirurgia e do organismo de cada um.

CICATRIZES. É, cicatriz pode ter sim, mas a maioria fica quase imperceptível, pois as incisões são bem pequenas, com cerca de 2 mm. Se a sua cicatrização é boa, ou seja, tem pouquíssimas marcas pelo corpo após ter sofrido diversos machucados ao longo da vida, provavelmente suas cicatrizes cirúrgicas também apresentarão uma boa evolução, ficando quase imperceptíveis com o passar do tempo. Contudo, se você tem quelóides ou cicatrizes escuras, é necessário estar mais preparado para a possibilidade de uma cicatriz pequena, mas aparente.

MANCHINHAS. Alguns locais em que houve a formação de hematomas ou em cicatrizes da cirurgia podem evoluir com pigmentação permanente da pele, tornando-a mais escura. Isso decorre de um descontrole da produção de melanina, provocada pelo trauma cirúrgico, ou pela deposição de ferro na pele secundária ao hematoma. Sabe-se que fatores como idade, alterações hormonais, inflamação, alergias e exposição solar aumentam a incidência das manchas e dificultam a sua melhora. O pensamento chave para estes casos é: tenha paciência e não tome sol! O tempo ajuda muito no clareamento dessas manchas. Podemos também lançar mão de cremes com substâncias clareadoras em alguns casos.

ALTERAÇÃO NA SENSIBILIDADE. É uma sensação de formigamento, queimação ou dormência em uma região operada. O que causa este sintoma é o estiramento ou mesmo rompimento de um nervo local. Varizes muito calibrosas e as veias safenas costumam estar muito próximas ou até entrelaçadas por nervos da região, que podem ser arrancados ou machucados na remoção do vaso. Na maioria dos casos, a recuperação destas alterações na sensibilidade ocorre espontaneamente em poucos meses e são poucos os casos em que se notam alterações permanentes. Geralmente ficam restritas a pequenas regiões da perna, têm leve intensidade, e não são acompanhadas de prejuízo funcional, ou seja, da movimentação das pernas, uma vez que os nervos comprometidos são os da sensibilidade e não os da motricidade.

Com a utilização do laser endovenoso, a frequência desta complicação foi reduzida de maneira significativa, pois a agressão ao vaso ocorre em sua parte interna, e não externa, onde está localizado o nervo.

– TROMBOSE. Infelizmente essa complicação pode ocorrer. A boa notícia é que é uma complicação rara no tratamento cirúrgico das varizes. Os estudos relatam 1,5 casos de trombose em cada 1.000 cirurgias de varizes. A trombose, que é a formação de trombos dentro das veias profundas, pode surgir no pós-operatório de qualquer cirurgia, principalmente nas cirurgias ortopédicas de joelho e quadril ou em outras cirurgias de grande porte.

A principal forma de prevenir a trombose é a movimentação precoce dos membros inferiores, seja dos pés ao acordar da cirurgia, seja caminhando quando liberado pelo médico. Além disso, o uso das meias elásticas é fundamental.

Complicações presentes em outras cirurgias (como sangramento pelas incisões cirúrgicas, infecção da ferida operatória, abertura dos pontos) também podem ocorrer no tratamento cirúrgico das varizes, mas costumam ser de fácil manejo e boa evolução.

Importante lembrar que, como em qualquer procedimento, há riscos de complicações, mas a grande maioria é de baixa gravidade e reversível. As complicações graves são bastante raras, além disso, a recuperação costuma ser bem tranquila. Um médico atencioso e atualizado, com conhecimento de técnicas cirúrgicas menos invasivas e uso de equipamentos auxiliares como o ultrassom com Doppler e a realidade aumentada consegue tomar medidas para simplificar o procedimento, minimizar o trauma operatório e tornar as cicatrizes cosmeticamente mais atrativas, reduzindo a chance das intercorrências indesejáveis.

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