A real história sobre a trombose do viajante.

Para aqueles que planejam uma viagem, há muitas coisas para se preocupar: a segurança do aeroporto, o custo da viagem, atrasos nos voos, extravio de malas… além disso, a saúde também pode ser uma preocupação pelo risco de uma trombose venosa profunda inesperada. Mas o que é e o que leva uma pessoa a desconfiar que tem a doença? Quem são as pessoas que devem ter essa preocupação?
Como posso evitar que ela ocorra?
Para esclarecer algumas dúvidas sobre o assunto, nós médicos do Instituto Barão respondemos abaixo algumas das principais questões levantadas pelos pacientes da nossa clínica.

O que é Trombose Venosa Profunda?
Trombose venosa profunda (TVP) é o termo utilizado quando o sangue coagula no interior de uma veia profunda, geralmente na perna. O paciente geralmente apresenta dor e inchaço na perna afetada. A trombose é tratável, mas requer atenção imediata, pois um fragmento pode se desprender e migrar para os pulmões, quadro conhecido como embolia pulmonar – grave e com alto risco de morte.

A trombose venosa profunda está realmente relacionada à viagem?
Sim. Recentemente, a literatura médica criou o termo “síndrome da classe econômica”, que consiste na ocorrência de trombose seguida de embolia e, às vezes, morte. Essa síndrome ocorre em pessoas que viajaram em classe econômica de aviões, onde há poltronas apertadas, sem muito espaço para movimentação. Associado a esse fator, temos a pouca hidratação dessas pessoas durante o voo (geralmente diminuem a ingesta de água para não precisar ir ao banheiro) e a queda da umidade relativa do ar causada pelo ar condicionado, que fica em torno de apenas 20%, aumentando ainda mais a desidratação. Esses fatores em conjunto levam a uma combinação muitas vezes catastrófica.
Uma revisão dos estudos realizados até o momento mostrou um risco aproximadamente 3 vezes maior de apresentar uma trombose nos membros inferiores em pessoas que viajaram de avião em relação as que não viajaram. Esse risco aumenta ainda mais quando a pessoa que viaja apresenta algum outro fator de risco. Um estudo que analisou a presença de trombose por meio da realização de um exame de ultrassom com Doppler em pessoas que viajaram por muitas horas, mostrou que a frequência de algum tipo de trombose – mesmo que muito pequena e assintomática – era em torno de 1,6% em pessoas sem nenhum fator de risco e em torno de 5% nas pessoas com algum fator de risco para trombose.

E quais são estes outros fatores de risco?
Lesões em qualquer vaso sanguíneo liberam substâncias químicas que promovem a coagulação. Cirurgia recente, uso de medicação intravenosa ou lesões como um tornozelo torcido, aumentam o risco de trombose venosa profunda. Quanto mais tempo se aguarda entre essas lesões e as viagens, menor a chance de TVP.
Além disso, outros fatores que contribuem são idade avançada, presença de varizes e outros sinais de insuficiência venosa (como inchaço de membros inferiores), história de trombose venosa prévia, pessoas com doenças do sistema de coagulação (chamadas trombofilias), grávidas ou mulheres nos primeiros dois meses após o parto e pessoas obesas ou que estiveram em extenso repouso no período prévio à viagem. Os estudos mostram que o risco também aumenta nas viagens muito longas, com duração maior do que 6 a 8 horas.

Há relatos de que as pessoas apresentam a TVP dias após a viagem. Por que isso acontece?
Provavelmente não há este intervalo de tempo. O coágulo se formou durante a viagem e apenas cresceu ou amadureceu após, causando sintomas alguns dias depois. No entanto, um estudo descobriu que o risco de complicações do coágulo sanguíneo permanece elevado por até quatro semanas após o voo.

Por que um coágulo na perna é uma ameaça à vida?
Em algumas pessoas, os coágulos podem se soltar da parede das veias das pernas, seguindo junto com o sangue para o coração. No coração, esses coágulos passam diretamente e saem para o pulmão pela artéria pulmonar. À medida que a circulação pulmonar se ramifica, esses pequenos coágulos bloqueiam a circulação. Dependendo do tamanho dos vasos obstruídos, a pessoa pode apresentar uma insuficiência respiratória, já que o sangue nos pulmões não consegue trocar o gás carbônico pelo oxigênio. Quando um pedaço de coágulo formado na perna se desprende e vai para o pulmão, recebe o nome de embolia pulmonar. A embolia é uma doença grave com alto índice de mortalidade mesmo quando tratada no início.

Durante o tratamento com anticoagulantes ainda estou em risco? Por quanto tempo devo utilizá-los?
Se o paciente estiver usando anticoagulante, o risco de um novo evento de trombose venosa profunda ou piora do atual é muito baixo. Seu médico determinará a duração do tratamento com base na gravidade e local acometido.

Quais cuidados devo tomar se eu for realizar alguma viagem de avião?
Vários estudos mostraram que o uso de meia elástica de baixa ou média compressão diminuiu consideravelmente a formação de trombo nos membros inferiores. Outra dica é se exercitar durante a viagem, experimente alguns exercícios de pernas e pés mesmo estando sentado, como girar o tornozelo, elevar as pernas e fazer alongamentos de panturrilha. Repita esses exercícios a cada meia hora, isso estimula o fluxo sanguíneo e reduz a estagnação do sangue. Escolha companhias aéreas que deixam um espaço maior entre as poltronas; evite colocar bagagens nos seus pés, assim você poderá se movimentar com mais facilidade. Levante-se e faça breves caminhadas durante o voo – escolher a poltrona do corredor facilita este hábito. Beba bastante líquido.

Whatsapp