Como tratar uma úlcera venosa? Curativos e outras abordagens
A úlcera venosa é um tipo de ferida crônica que aparece, em geral, na parte inferior das pernas, especialmente na região do tornozelo. Está diretamente relacionada à insuficiência venosa crônica, uma condição em que as veias das pernas não conseguem retornar o sangue de forma eficiente ao coração, gerando acúmulo de sangue, inchaço, inflamação e, com o tempo, feridas que não cicatrizam facilmente.
O tratamento eficaz depende de cuidados locais com a ferida, medidas para melhorar a circulação venosa, mudanças no estilo de vida e, em muitos casos, a atuação direta do cirurgião vascular. Neste texto, vamos explicar como tratar uma úlcera venosa, quais curativos são utilizados, quando a cirurgia pode ser indicada e como prevenir a recorrência.
A base do tratamento: melhorar o retorno venoso
A úlcera venosa é uma consequência de um problema maior: a hipertensão venosa. Portanto, tratar apenas a ferida sem corrigir a causa não é suficiente. Por isso, o foco inicial é reduzir a pressão nas veias das pernas.
A principal ferramenta para isso é a terapia compressiva com a meia elástica. Essa terapia reduzem o inchaço, melhoram o fluxo sanguíneo e aceleram a cicatrização da úlcera.

Cuidados locais com a ferida: quais curativos usar?
O tipo de curativo ideal depende do estágio da úlcera venosa, da quantidade de secreção, da presença de infecção e da condição da pele ao redor. Os objetivos dos curativos são:
- Manter a ferida úmida, mas sem excesso
- Controlar secreções e odores
- Reduzir a dor
- Estimular a cicatrização
- Proteger contra infecções
Entre os curativos mais utilizados, destacam-se:
- Espumas de poliuretano: absorvem exsudato, protegem o leito da ferida e mantêm ambiente ideal para cicatrização.
- Hidrogéis e hidrocolóides: indicados em feridas secas ou com necrose, ajudam na autólise (remoção natural do tecido morto).
- Curativos com prata: recomendados quando há suspeita de infecção, pois têm ação antimicrobiana.
- Alginatos de cálcio: ótimos para feridas com grande quantidade de exsudato.
O ideal é que esses curativos sejam indicados e acompanhados por um cirurgião vascular.

Ferida infectada: quando usar antibióticos?
Nem toda úlcera venosa com secreção está infectada. A presença de odor fétido, pus, aumento da dor, vermelhidão ao redor ou febre pode indicar infecção local ou sistêmica, sendo necessário iniciar antibióticos.
Porém, o uso indiscriminado de antibióticos tópicos ou sistêmicos pode prejudicar a cicatrização e gerar resistência bacteriana. Por isso, essa decisão deve ser tomada pelo médico após avaliação clínica.
Cirurgia: quando está indicada?
Em casos de úlcera venosa recorrente, extensa ou que não cicatriza mesmo após meses de tratamento conservador, a remoção das varizes pode ser indicada para corrigir a causa do refluxo venoso.
As opções incluem:

- Ablação térmica endovenosa (laser ou radiofrequência)

- Escleroterapia com Espuma

Em algumas situações, a cirurgia pode ser realizada mesmo com a úlcera ainda aberta, desde que controlada e sem sinais de infecção.
Estilo de vida e prevenção de recorrência
Após a cicatrização da úlcera venosa, é essencial adotar medidas para evitar que a ferida retorne, o que é comum em pacientes que não tratam a causa venosa de forma definitiva.
Algumas medidas preventivas incluem:
- Uso diário de meias de compressão
- Evitar longos períodos em pé ou sentado
- Praticar atividades físicas regulares, especialmente caminhadas
- Elevar as pernas sempre que possível, ao deitar ou sentar
- Manter controle de peso
Além disso, o acompanhamento periódico com o cirurgião vascular é indispensável para monitorar a saúde venosa e intervir precocemente em caso de sinais de recorrência.
Conclusão
O tratamento da úlcera venosa vai muito além de um simples curativo. Envolve uma estratégia bem planejada, que corrige a causa do problema, cuida da ferida de forma especializada e orienta o paciente quanto às mudanças necessárias para evitar que a lesão retorne.
Se você ou alguém próximo apresenta uma ferida na perna que não cicatriza, procure um cirurgião vascular. O diagnóstico correto e o tratamento precoce são fundamentais para garantir a cicatrização, preservar a qualidade de vida e evitar complicações maiores no futuro.

Dr. Felipe Barão
Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.
CRM: 130055 | RQE: 44741
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