Tratamentos para varizes: espuma, laser e cirurgia. Qual o melhor?

As varizes são veias dilatadas e tortuosas que comprometem o funcionamento do sistema venoso, principalmente das pernas. Comuns em homens e mulheres, especialmente após os 35 anos, podem causar desde desconfortos leves até complicações sérias, como tromboflebites e úlceras. Felizmente, os avanços na cirurgia vascular oferecem diversas formas de tratamento, que vão desde procedimentos minimamente invasivos até intervenções cirúrgicas mais completas.

Neste texto, você vai entender quais são os principais tratamentos para varizes, como funcionam, para quem são indicados e qual é o melhor método em cada caso.

Quando tratar as varizes?

Nem todas as pessoas com varizes precisam de tratamento invasivo. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida, uso de meias de compressão e acompanhamento médico já são suficientes. No entanto, o tratamento específico é recomendado quando:

  • Há sintomas como dor, peso, inchaço e cansaço nas pernas refratário ao tratamento clínico;
  • Existe comprometimento estético;
  • Complicações das varizes, como tromboflebite, varicorragia, úlceras venosas ou escurecimento da perna;
  • Risco das complicações acima;
  • Idade limítrofe para o procedimento cirúrgico.

O tipo de tratamento ideal depende de fatores como a anatomia e localização das veias comprometidas, estado de saúde do paciente e seus objetivos (estéticos ou funcionais).

Quais os tratamentos existentes para varizes ?

Espuma (escleroterapia com espuma)

A escleroterapia com espuma é uma técnica amplamente utilizada no tratamento de veias varicosas calibrosas. Consiste na injeção de uma substância esclerosante (geralmente polidocanol) misturada com ar, formando uma espuma densa que é aplicada diretamente na veia doente.

Como funciona:
A espuma promove uma reação inflamatória controlada na parede da veia, levando à sua obstrução e, posteriormente, à reabsorção pelo organismo.

Vantagens:

  • Procedimento rápido, realizado no consultório;
  • Não requer anestesia nem internação;
  • Recuperação imediata;
  • Pode ser repetido em várias sessões.

Indicação:
Boa opção para pacientes com veias de médio a grande calibre, especialmente quando há contraindicação para cirurgia ou desejo de evitar métodos mais invasivos.

Limitações:
Nem sempre elimina completamente a veia de forma estética. Geralmente causam manchas, as vezes permanentes, inflamação local e, cordões fibrosos superficiais.

veias de médio a grande calibre

Laser endovenoso (ablação térmica a laser)

O laser endovenoso é uma técnica moderna e minimamente invasiva, indicada principalmente para varizes tronculares (como safena magna ou parva).

Como funciona:
Um cateter é introduzido dentro da veia doente e, por meio da emissão de energia térmica, promove o fechamento da veia por calor.

Vantagens:

  • Menor trauma cirúrgico;
  • Procedimento ambulatorial com alta precoce;
  • Menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida;
  • Menor risco de complicações em comparação à cirurgia tradicional.

Indicação:
Ideal para pacientes com refluxo da veia safena e desejo de um procedimento menos invasivo.

Limitações:
Custo mais elevado.

Laser endovenoso

Cirurgia tradicional (safenectomia e fleboextrações)

A cirurgia tradicional ainda é bastante indicada, principalmente em casos que há contraindicações para métodos minimamente invasivos.

Como funciona:
Pode envolver a retirada da veia safena (safenectomia) e/ou a remoção de outras varizes visíveis (fleboextrações), geralmente com incisões pequenas.

Vantagens:

  • Custo mais acessível;
  • Boa resposta estética quando bem indicada.

Indicação:
Pacientes com varizes volumosas, múltiplos ramos dilatados e refluxo venoso importante.

Limitações:
Recuperação mais lenta, maior dor no pós-operatório e risco de hematomas. Pode deixar pequenas cicatrizes, dependendo da técnica usada.

Cirurgia tradicional

Outros métodos: microcirurgia e laser transdérmico para microvarizes.

Para varizes de diâmetro menores (microvarizes), existem outros métodos complementares ou específicos:

  • Microcirurgia: remoção de veias superficiais por microincisões com resultado estético superior.

Microcirurgia

  • Laser transdérmico: atua em vasinhos (telangiectasias) e pequenas varizes, mais voltado ao tratamento estético.

Laser transdérmico

Cada método tem suas indicações específicas e pode ser usado isoladamente ou em associação, conforme o plano terapêutico definido pelo cirurgião vascular.

Qual o melhor tratamento para varizes?

A resposta é: depende do seu caso. Não existe um tratamento único que funcione para todos os pacientes. O melhor método será aquele que:

  • Corrige o refluxo venoso;
  • Remove as varizes visíveis;
  • Minimiza o risco de recidiva;
  • Atende aos objetivos do paciente (estéticos e funcionais);
  • Tem menor impacto na rotina diária.

Por isso, a avaliação detalhada com o cirurgião vascular, incluindo exame físico, realidade aumentada e ultrassom doppler venoso, é fundamental para definir a estratégia de tratamento mais adequada.

Conclusão

As varizes podem ser tratadas por diversas técnicas como espuma, laser e cirurgia. Cada método tem suas vantagens e limitações, e a escolha depende de diversos fatores individuais. O importante é não ignorar os sintomas e procurar avaliação especializada o quanto antes.

Com o tratamento certo, é possível eliminar as varizes, aliviar os sintomas e prevenir complicações, melhorando não apenas a saúde vascular, mas também a autoestima e a qualidade de vida.

 

Dr. Felipe Barão

Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.

CRM: 130055 | RQE: 44741

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde também concluiu o Doutorado e o Pós-Doutorado. Complementou sua formação com um fellowship internacional em Cirurgia Vascular e Endovascular na Universidade do Texas, em Dallas (EUA). Possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, concedidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). É membro da Society for Vascular Surgery (EUA) e da SBACV.

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