Varizes: quando é hora de operar?

As varizes são veias dilatadas e tortuosas que surgem principalmente nas pernas. Para muitas pessoas, elas são apenas um incômodo estético. Para outras, representam dor, inchaço, peso nas pernas, escurecimento da pele e risco de complicações mais sérias.

varizes

Mas afinal, quando é o momento certo para operar varizes? A decisão nem sempre é simples — e não depende apenas da presença das veias aparentes. Como cirurgião vascular, costumo considerar cinco indicações clássicas para o tratamento cirúrgico das varizes. Neste texto, explico cada uma delas de forma clara e objetiva, para que você entenda quando o procedimento realmente se torna necessário.

quando é o momento certo para operar varizes

1. Sintomas refratários ao tratamento clínico

A principal indicação para cirurgia de varizes é a presença de sintomas persistentes, que não melhoram mesmo com medidas clínicas bem conduzidas. Os principais sintomas das varizes incluem sensação de peso e cansaço nas pernas, especialmente ao final do dia. Esses sintomas costumam piorar quando a pessoa permanece muito tempo em pé ou sentada, e melhoram com a elevação das pernas ou ao caminhar. O inchaço (ou edema) também é comum, principalmente no fim do dia, seguindo esse mesmo padrão. Além disso, os sintomas podem se intensificar nos dias mais quentes e no período pré-menstrual, devido a alterações hormonais e vasodilatação.

O tratamento clínico inclui o uso de meias elásticas de compressão, mudanças no estilo de vida — como praticar exercícios físicos regularmente, evitar longos períodos sentado ou em pé —, além do uso de medicamentos flebotônicos e do controle de fatores de risco como obesidade e sedentarismo.

Se, mesmo com essas medidas, o paciente continuar apresentando sintomas ou não conseguir manter adesão adequada ao tratamento clínico, a cirurgia passa a ser a alternativa mais eficaz para aliviar os sintomas e restaurar a qualidade de vida.

2. Indicação estética

Apesar de não ser uma urgência médica, a insatisfação estética também é uma indicação legítima para o tratamento cirúrgico de varizes. Muitas pessoas evitam usar roupas mais curtas, sentem-se constrangidas em ambientes como praias e academias, ou relatam queda da autoestima por causa das veias aparentes.

Nesses casos, após avaliação detalhada com exame físico e ultrassom doppler, podemos indicar o tratamento cirúrgico (com técnicas como termoablação por laser, ou cirurgia convencional), visando não apenas o resultado funcional, mas também a satisfação estética.

É importante lembrar que o aspecto estético está frequentemente associado à presença de refluxo venoso, que precisa ser tratado com critério — o que torna a avaliação médica essencial.

3. Presença de complicações

Algumas complicações tornam a cirurgia de varizes não apenas indicada, mas necessária. Entre as principais, destacam-se:

  • Úlcera venosa: ferida geralmente localizada na parte interna do tornozelo, de difícil cicatrização, causada pela hipertensão venosa crônica;
  • Dermatite ocre ou eczema venoso: escurecimento da pele, endurecimento (dermatoesclerose) e inflamações frequentes;
  • Varicorragia: sangramento súbito de uma veia varicosa, geralmente após trauma leve;
  • Tromboflebite superficial: inflamação com dor e endurecimento de uma veia superficial.

Em todos esses casos, a cirurgia visa prevenir a progressão da doença e evitar novos episódios de complicações. O procedimento pode ser combinado com curativos especiais, medicamentos e acompanhamento regular.

4. Risco de complicações futuras

Mesmo que a pessoa ainda não tenha apresentado complicações, existem situações em que o risco de complicação é alto, justificando a indicação cirúrgica precoce. Esse é o caso de pacientes que apresentam:

  • Veias muito dilatadas e tortuosas, com refluxo importante documentado no ultrassom;

Nesses cenários, a cirurgia atua de forma preventiva, para evitar o avanço da doença e o surgimento de lesões mais difíceis de tratar no futuro.

5. Idade limítrofe para o procedimento

Este é um critério que poucos pacientes conhecem, mas que faz toda a diferença na prática médica. Pacientes que já apresentam varizes moderadas ou graves e que estão se aproximando de uma idade considerada limítrofe para a realização segura da cirurgia devem ser avaliados com mais atenção.

Isso porque, com o avanço da idade, o risco cirúrgico naturalmente aumenta. Além disso, outras comorbidades (como hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca) podem surgir e complicar a realização do procedimento no futuro. Outro fator importante é que, com o passar dos anos, é natural que o nível de atividade física diminua. Andamos menos, nos exercitamos menos — e isso, infelizmente, agrava os sintomas venosos e aumenta o risco de complicações das varizes.

Portanto, mesmo que o paciente ainda não apresente as quatro indicações acima, pode ser prudente considerar a cirurgia enquanto está em uma fase da vida com menor risco cirúrgico — antes que a doença avance e o procedimento se torne mais complexo ou até inviável.

Essa indicação vem diminuindo com o avanço de tratamentos menos invasivos, como o laser ambulatorial realizado no próprio consultório. Ainda assim, é fundamental uma avaliação detalhada com ultrassom doppler para entender a anatomia venosa e verificar se há possibilidade de optar por esse tipo de tratamento no futuro.

Cirurgia sempre é necessária?

Não. Muitas pessoas com varizes podem conviver com a doença por longos períodos apenas com medidas clínicas, especialmente quando os sintomas são leves. A decisão pela cirurgia deve ser individualizada, sempre baseada na avaliação clínica, no exame de ultrassom doppler e nas necessidades do paciente.

O avanço das técnicas minimamente invasivas, como laser endovenoso, tem tornado a recuperação muito mais rápida e o procedimento mais confortável. Isso também ampliou a possibilidade de indicação em pacientes que antes evitavam a cirurgia convencional.

Conclusão

A cirurgia de varizes é indicada em situações bem definidas, que vão além do desconforto visual. Sintomas persistentes, complicações, risco iminente e até o fator idade devem ser levados em conta na avaliação do cirurgião vascular.

Se você apresenta varizes e tem dúvidas sobre o melhor momento para tratar, agende uma consulta com um especialista. Um exame simples e uma conversa franca podem ajudar a definir o melhor caminho para cuidar da sua saúde vascular — seja com tratamento clínico, cirurgia ou apenas acompanhamento preventivo.

Dr. Felipe Barão

Angiologista, Cirurgião Vascular e Endovascular.

CRM: 130055 | RQE: 44741

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), onde também concluiu o Doutorado e o Pós-Doutorado. Complementou sua formação com um fellowship internacional em Cirurgia Vascular e Endovascular na Universidade do Texas, em Dallas (EUA). Possui títulos de especialista em Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, concedidos pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). É membro da Society for Vascular Surgery (EUA) e da SBACV.

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